Não sei explicar direito por que escrevo.
Só sei que tem dias em que o peito aperta
de um jeito que nem o silêncio dá conta.
Aí eu sento, escrevo. Não pra entender,
mas para poder continuar.
Nunca fui de falar muito das minhas dores.
Não porque não doam, mas porque não sei
onde guardá-las sem que virem exagero.
Então fui fazendo das palavras meu caminho,
meu jeito de desaguar sem alagar ninguém.
Este lugar nasceu disso.
Não é blog, não é diário, não é confissão.
É um quintal. Um cantinho com cheiro de terra molhada,
onde as palavras crescem meio tortas, mas vivas.
Aqui, não preciso parecer forte, nem feliz o tempo inteiro.
Eu só preciso sentir. Se você chegou até aqui, talvez também
carregue essas coisinhas miúdas
que ninguém vê, mas que pesam.
Pode entrar.
O chão é simples, mas tem colo.
E se quiser, me lê.
O meu sentir talvez tenha o rosto e gosto do seu.
Simone Patrocínio
